PORTO SEGURO – BA

Pindorama, Pindorama É o Brasil antes de Cabral

Pindorama, Pindorama É tão longe de Portugal

Fica além, muito além Do encontro do mar com o céu

(Palavra Cantada)

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Em 2007, Davi e eu, estivemos algumas vezes em Porto Seguro – BA! Nesta época, nós morávamos em Salvador e de lá pegamos um avião direto para este lugar cheio de riquezas e encantos.                                                                                                                                                      

As origens, as florestas, o céu que encontra o mar. Lugar onde o povo brasileiro começou a ser expulso do paraíso. Povos Indígenas, presentes!

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O motivo que nos levou foi profissional. Foram quase dois anos de convivência com o Povo Pataxó em Porto Seguro e região, num trabalho emocionante e inesquecível.

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Meu filho teve algumas oportunidades de me acompanhar e conhecer um pouquinho dos povos indígenas do Extremo Sul da Bahia.

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Durante os trabalhos desenvolvidos com o Povo Pataxó foi possível participar dos seus rituais sagrados.

“Nós, Povos Indígenas, caminhamos em direção ao futuro nas trilhas dos nossos antepassados. Do maior ao menor ser vivente, das quatro direções do ar, da água, da terra e das montanhas, o Criador colocou a nós, povos indígenas, em nossa terra, que é nossa mãe.”   (Declaração da Aldeia Kari-Oca – Eco/92)

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Junto de Itana, amiga querida, percorri as aldeias indígenas em aprendizados para a vida toda. E lá, atrás de nós o Monte Pascoal.

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Respiramos história, natureza, encantos e conflitos de várias ordens. Para quem reside ou está a trabalho no cotidiano da região é possível sentir as dores do povo.                            Povo que luta pelos seus direitos a uma vida digna com moradia, terras para produzir, educação, saúde, saneamento, alimento saudável. Sabemos que esta luta está em todo nosso país.

Esperando a terra chegar eu vivo. Na esperança de ter um lugar, meu canto, um abrigo
…Peguei a enxada deixei a viola. Preparei a terra pro feijão de corda. Tanta terra pra distribuir, E eu aqui na beira da estrada criando raiz. (O Hino da Reforma Agrária)

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Com biodiversidade rica e ameaçada de extinção Porto Seguro resguarda uma parte dela em forma de  Unidades de Conservação, como os Parques Nacionais que podem ser visitados por todxs.

“Biodiversidade é a biblioteca das vidas. ” (Thomas Lovejoy)

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Muitas vistas que temos em Porto Seguro nos remete a memória do estudioso de mares e oceanos, Jacques Cousteau:

“Tenho esperança de que um maior conhecimento do mar, que há milênios dá sabedoria ao homem, inspire mais uma vez os pensamentos e as ações daqueles que preservarão o equilíbrio da natureza e permitirão a conservação da própria vida.”

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Um perder de vista que encontra a paz na imensidão do azul do mar de Trancoso, um dos lugares mais procurados em Porto Seguro.

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Trancoso é um distrito de Porto Seguro, que tem uma praça chamada Quadrado onde tudo acontece. O turismo é forte neste lugar que além de ser muito lindo, tem muitos restaurantes, lojas caras e badalações.

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Depois de alguns anos, pude voltar com meu filho em Porto Seguro. Aqui eu contei muitas histórias para Davi, que já estava em idade de compreender melhor os acontecimentos das nossas vidas e da formação do nosso povo, do nosso país.

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Em muitos momentos Porto Seguro permite que sejamos leves, transparecendo o seu colorido alegre que nos contagia.

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Além de Trancoso, Porto Seguro tem outros distritos especiais que merecem ser visitados, como o paraíso de Caraíva, o pouco conhecido e encantador Vale Verde e o charmoso e muito procurado Arraial d’Ajuda.

De Caraíva eu quero as praias. Do Vale Verde eu guardo no coração as pessoas e suas relações. E do Arraial…Confesso que eu quero mesmo é a sua gastronomia. Hummmmm é cada prato simples ou muito bem elaborado, que só de lembrar dá água na boca. Mas, podemos ficar só com um sorvetinho, também.

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Gostaria muito que toda brasileira e brasileiro pudesse conhecer com profundidade a Bahia. Porto Seguro seria um bom começo. Para além do turismo que apresenta lugares esplêndidos, isso aqui é aprendizado puro, aqui temos as nossas raízes.

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PARQUE NACIONAL DE SUPERAGUI – PR

E no fechamento de 2015, Davi e eu, brindamos os presentes do universo no Parque Nacional do Superagui – PR.

Natureza é uma força que inunda como os desertos. Que me enche de flores, calores, insetos – e me entorpece até a paradeza total dos reatores. Então eu apodreço para a poesia. (Manoel de Barros)

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O Parque Nacional do Superagui está localizado no litoral norte do estado do Paraná, no município de Guaraqueçaba, sendo formado por área continental e áreas insulares, compondo o complexo estuário de Paranaguá, Cananéia e Iguape.

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Saímos de carro de Curitiba percorrendo quase 100 km pela BR-277 rumo à Paranaguá – PR, cidade onde fica o maior porto graneleiro da América Latina – desta seguimos direto ao Parque Nacional.

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Embarcados numa “voadeira” nos aventurando em alto mar ao lado dos grandes navios. Mas, logo nos distanciamos da agitação do Porto de Paranaguá e encontramos apenas o agito das ondas do mar.

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Após 1 hora e meia na voadeira chegamos ao nosso destino – a Ilha de Superagui no Parque Nacional, mais precisamente na pousada “Sobre as Ondas”, com vista para o belo.

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Hora de caminhar e fazer o reconhecimento da área!
Saímos em busca de interação com a praia, restingas e manguezais do Parque Nacional.

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A tarde caiu levando aos poucos o sol que se diluía em nossos olhares extasiados.

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A contemplação daquele cartão postal vivo permitia a limpeza de pensamentos, que se enchiam apenas de gratidão por mais um ano que se findava na liberdade do nosso imaginário.

Sou livre para o silêncio das formas e das cores. (Manoel de Barros)

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Amanhecemos felizes e dispostos para vivenciarmos as belezas diversas do Parque Nacional de Superagui.

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Davi e eu seguimos pela Trilha da Praia Deserta de Superagui num percurso tranquilo de cerca de 1 hora.

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A trilha suave nos proporcionou um bem-estar contido no silêncio da restinga quebrado pelo rastejar de lagartos e zumbidos de insetos que pousavam em bromélias floridas.

“Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade das tartarugas
mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.”
(Manoel de Barros)

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Ao término da trilha nos deparamos com a praia que nos convidava a molhar os pés num brincar entre mãe e filho.

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O lugar é um deleite para os olhos, corpo, mente e alma que se entregaram a natureza tão completa de rio e mar, montanha e praia, sol e nuvens.

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Novamente embarcamos na voadeira, agora para um passeio de 5 horas por outras bandas do Parque Nacional, sendo possível explorar os sentidos da liberdade que nos envolvia.

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A vegetação densa banhada por céu e mar nos acalmou num giro de 180 graus.

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Fomos parar nos idos de 1800, em meio a floresta e mar, com suas belas arquiteturas portuguesas que solidificavam a triste catequização indígena.

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Entre as várias ilhas que integram o Parque e suas redondezas, visitamos desde a famosa Ilha do Mel até a menos popular Ilha das Peças, mas de beleza intensa.

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Vale um destaque para a Ilha do Cardoso já no estado de SP, fora dos limites do Parque Nacional de Superagui. Esta Ilha é um Parque Estadual de SP que era meu sonho de consumo desde os tempos de estudante de biologia. Sonho realizado e junto do meu
filhote!

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Ali escondida temos o Guará – espécie de ave que dançava por horas em bandos no palco celestial.

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Outra espécie de ave que aparece para dar show, em revoada ao final da tarde, em Superagui é o papagaio roxo, porém, não tivemos o privilegio de avistá-los. Um sinal que temos que voltar neste paraíso para tentar a sorte novamente.

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Com o céu num espetáculo constante em alto mar os golfinhos saltitavam para contemplá-lo. Sem saber nos inundavam de alegria e risos com as tentativas de fotos que não os registravam.

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Depois de 4 dias no Parque Nacional de Superagui retornamos ao município de Paranaguá, que nos acolheu em seu colorido de barquinhos e um convite para o seu encanto guardado historicamente em casarões, museus e espaços culturais.

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http://www.superagui.net/

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PARQUE NACIONAL DA TIJUCA – RJ

O Cristo está de braços abertos no topo da montanha!

Cantando Gilberto Gil ou Leila Pinheiro, lá fomos nós viajar na viagem.

“Cristo Redentor, consolador, domina a paisagem. 

Todo o meu fervor, me acompanha nessa viagem”

Entre as maravilhas do Rio de Janeiro, escolhemos mostrar um pouco das nossas andanças pelo Parque Nacional da Tijuca que protege um patrimônio natural e histórico.

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Compadre e Comadre (Rodrigo e Fabiana) – padrinhxs do Davi – são responsáveis pela felicidade que tivemos em conhecer este Parque Nacional, que é o mais visitado do Brasil.

O Parque está dividido em 4 setores conhecidos como: Floresta da Tijuca; Serra da Carioca; Pedra da Gávea ou Pedra Bonita; e Pretos Forros.

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O Parque Nacional da Tijuca foi criado para proteger sua exuberante floresta, fruto do maior projeto de reflorestamento do mundo. O plantio teve início em 1861 para recompor a área, que foi devastada durante muitos anos para a produção de carvão e cultivo de café.

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Além de resguardar a floresta, com suas belas paisagens, biodiversidade, trilhas, cachoeiras e grutas, o Parque protege uma das sete Maravilhas do Mundo – o Monumento do Cristo Redentor !

Ele foi eleito por duas vezes (2007 e 2012) como um dos lugares mais lindos do mundo.

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Desde 1931, quando foi inaugurado, vem encantando ao mundo que o vê de perto ou de longe com toda sua imponência de 38 metros de altura no alto do Morro do Corcovado.

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“…Sob o alto Corcovado, engastado, tens o Cristo Redentor,

dominando a Guanabara, jóia rara, do teu reino de esplendor…”

(Terra Virgem  – Vicente Celestino)

São varias as poesias e músicas inspiradas no Cristo, além disso, são inúmeros adultos e crianças que se inspiram para brincar em registros fotográficos.

O Parque da Tijuca é tão cheio de atrativos, que um dia é pouco para apreciá-lo.

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No 1º dia fomos ao setor da Serra da Carioca. Seguimos pela estrada das Paineiras e do Corcovado apreciando seus mirantes, grutas e fontes d’água.

Quanto mais subíamos, mais lindos nossos olhos ficavam em mirantes de ângulos mil.

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Do mirante Dona Marta, a 364 metros de altitude, um heliporto se abre e dali anunciava que aquilo tudo era só uma pitada de beleza, nos estimulando a descobrir mais encantos do Parque da Tijuca.

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A poesia do Pão de Açúcar, avistado do alto, se misturava com a nossa alegria de estarmos naquele lugar que nos conectava as fantasias de criança.

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Unindo poesias a aventuras, no 2º dia fomos até o setor da Floresta da Tijuca um lugar com muitas cachoeiras, Centro de Visitantes e trilhas.

Para quem está preparadx, fisicamente e com tempo disponível, pode até encarar varias trilhas num dia só.

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Nós escolhemos apenas uma trilha. Fomos ao Pico da Tijuca, que é o segundo Pico mais alto da cidade do Rio de Janeiro.

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A trilha em ziguezague nos levou ao alto da montanha, de forma tranquila e sombreada quase o tempo todo. Em seu último lance ela nos surpreendeu com um paredão de inclinação acentuada.

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Encontrar um desafio na trilha de 2800 metros de distância, acelerou o coração e nos libertou do medo. Aquela escada esculpida no paredão e o corrimão de correntes nos davam segurança e coragem.

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E no topo de 1021 metros de altitude, brindamos extasiadxs o cenário multicolorido das montanhas.

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Num zoom para a Pedra da Gávea e Pedra Bonita, distantes de nossos pés, deixamos nossa imaginação voar livre em rampas ilusórias do Pico da Tijuca.

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A imensidão invadiu as atenções de padrinho e afilhado que fitavam silenciosos as belezas do Rio de Janeiro.

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Descendo do Pico, olhávamos logo abaixo a Fabiana e ao longe o estádio do Maracanã no meio do concreto da cidade.

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Se estiver no Rio de Janeiro aproveite para visitar o Parque Nacional da Tijuca, uma Unidade de Conservação administrada pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

Fiquem por dentro dos valores, atrativos, caminhos para acessar e outras informações no http://www.icmbio.gov.br/parnatijuca/guia-do-visitante.html

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Fotos: Rodrigo, Fabiana, Henriqueta e Davi.

OBS: Viagem realizada em maio/2015.

SANTA CRUZ CABRÁLIA – BA

O município de Santa Cruz Cabrália fica no Extremo Sul da Bahia, distante aproximadamente 25 km de Porto Seguro.

Cenário do início da dizimação dos povos indígenas com a chegada de Pedro Álvares Cabral e toda colonização do Brasil.

Neste lugar vive o Povo Pataxó – a resistência!

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Nas férias de 2015, Davi e eu, partimos do aeroporto de Guarulhos-SP rumo a Porto Seguro – BA, onde ficamos hospedados, lá pegamos um ônibus até Santa Cruz Cabrália por apenas R$ 3,50.

Passamos o dia sendo impregnados de história, paisagens, exuberância e emoção.

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Turismo em Santa Cruz Cabrália, não apenas para apreciar suas belezas naturais, mas, para refletir sobre nossas origens e a formação do nosso povo.

Minha expectativa para apresentar este lugar ao meu filho era gigante pela própria natureza.

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Quem nos explica coisas importantes sobre a formação da nossa sociedade é o antropólogo, filósofo, escritor e maravilhoso Darcy Ribeiro, em especial, na sua obra “O Povo Brasileiro”.

“… só temos o testemunho de um dos protagonistas, o invasor. Ele é quem nos fala de suas façanhas. É ele também, quem relata o que decidiu aos índios e negros, raramente lhes dando a palavra de registro de suas próprias falas. O que a documentação nos conta é a versão do dominador.”

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Estar em Cabrália é também recordar parte da minha trajetória profissional vivida junto ao Povo Pataxó, de 2007 a 2009, na Aldeia de Coroa Vermelha uma grande aldeia indígena urbana com cerca de 5000 índios.

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Trabalhar com os índios em Coroa Vermelha foi um dos presentes que recebi do universo.

Oportunidade em que conheci um pouco dos seus rituais, suas moradias, das suas danças e cantos, pinturas e artesanatos, das suas lutas e sonhos.

Gratidão eterna.

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Coroa Vermelha guarda muitas histórias, entre elas, a celebração da 1ª missa do Brasil em 1500. Hoje no local tem uma cruz para simbolizar o ato, além de um museu e centro comercial de artesanato com barracas indígenas.

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Lugares acolhedores oferecem sombra em praias azuis e quentinhas.

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Depois de uma manhã em Coroa Vermelha seguimos até o centro de Cabrália onde embarcamos numa balsa para conhecer outros lugarejos, ainda, do mesmo território municipal.

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No atravessar da balsa avistávamos a paisagem e o centro histórico de Cabrália no alto do morro que se distanciava de nossas vistas para dar vez a uma história mais recente.

A travessia nos levou a Santa Cruz Cabrália que foi palco da Copa do Mundo de 2014.

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Ao descer da balsa, eu e Davi, caminhamos por 2 km e chegamos à Vila de Santo André, local onde a inesquecível seleção da Alemanha se hospedou no Brasil.

Eles escolheram muito bem o local, ficaram no paraíso.

Sem comentários, está explicada a vitória!

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A Vila de Santo André, que sempre foi exuberante, a partir da Copa do Mundo ficou famosa e agora recebe mais turistas que em outras épocas.

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Foi num grande estímulo ao pensar que eu quis levar meu filho a Santa Cruz Cabrália. Estava inspirada pelo Darcy Ribeiro em sua obra Noções de Coisas no qual diz:

Viva aceso, olhando e conhecendo o mundo que o rodeia, aprendendo como um índio. Seja um índio na sabedoria.

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Visite Santa Cruz Cabrália – BA e converse com os índios e com a natureza!

Um local com muitos pontos turísticos educativos. Restaurantes e pousadas para todos os gostos e bolsos. Cidade mais barata e tranquila que Porto Seguro que está ao lado.

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PARQUE NACIONAL DA SERRA DO CIPÓ e APA DO MORRO DA PEDREIRA

Quem tem amigo/amiga tem tudo nessa vida!!!!

Final do ano de 2012 chegou e com ele a necessidade de conhecer um novo destino.

O universo está sempre conspirando e surgiu um amigo da amiga que abriu as portas do paraíso para mim e meu filhote Davi, na época com 7 anos.

Rota traçada rumo ao Parque Nacional da Serra do Cipó e APA (Área de Proteção Ambiental) do Morro da Pedreira MG, o paraíso!

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Eu e Davi, saímos do aeroporto de Guarulhos – SP até Belo Horizonte – MG, onde encontramos o novo amigo querido para seguir o nosso destino de carro pela Rodovia MG-010 até o km 94 e deste ponto mais 3 km por estrada de terra.

Pronto, em aproximadamente 1 hora e meia, lá estávamos nós na sede do Parque Nacional com os novxs amigxsDicão e sua linda filha Ana Luiza.

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O Parque Nacional da Serra do Cipó e a APA do Morro da Pedreira situam-se na parte central do estado de Minas Gerais, mais especificamente, nos municípios de Jaboticatubas, Santana do Riacho, Morro do Pilar, Itambé do Mato Dentro e seu entorno.

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As duas áreas são Unidades de Conservação e juntas protegem mais de 100.000 hectares com uma rica biodiversidade, espécies de fauna e flora ameaçadas de extinção, recursos hídricos e cenários exuberantes.

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 Esta viagem me levou à escuta do silêncio da beleza dos paredões, vegetação e águas cristalinas.
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Os atrativos são tantos que ficamos por lá 7 dias e não conhecemos todos os encantamentos que existem. Precisaremos voltar mais umas 101 vezes!

Registro aqui, apenas, um pouquinho das nossas peripécias nesta região repleta de trilhas, rios, cachoeiras, cânions, travessias, além da riqueza cultural e muito artesanato, pousadas, guloseimas...

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Com instinto aventureiro, eu e Davi, fizemos a Trilha da Cachoeira da Farofa com 16 km (ida e volta). Sem a necessidade de guia, saímos sozinhos às 09h da portaria do Parque Nacional e retornamos às 16h.

Muitos visitantes fazem essa trilha de bicicleta ou cavalgando.

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Achamos a trilha bem fácil, porém é longa e o calor era intenso, precisávamos de paradas estratégicas para descanso, relaxamento e até meditação.

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Queríamos seguir lentamente, aceitar os convites irrecusáveis da natureza para interagirmos com ela, aliviando nosso cansaço e nos extasiando com o seu poder de renovação.

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Cantando Lenine pudemos lavar a alma atravessando o rio manso que refrescava a nossa caminhada.

No atravessar do rio só mesmo Manoel de Barros para compreender nossa emoção e alegria.

   “Afundo um pouco o rio com meus sapatos.                                                           Desperto um som de raízes com isso
    A altura do som é quase azul.

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Após 8 km de caminhada lá estava ela – a Cachoeira da Farofa!

Fizemos um lanchinho/almoço como bons “farofeiros e ganhamos energia para retornar os 8 km.

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Outra trilha que fizemos foi a Cachoeira do Capão dos Palmitos com cerca de 10 Km de caminhada (ida/volta).

Embora essa trilha fosse mais curta, a dificuldade era um pouco maior devido ao relevo acidentado e altitude elevada.

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Os campos iluminavam e perfumavam o nosso caminho solitário de belas descobertas.

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O Parque Nacional se abria para nós em detalhes floridos e diversificados colorindo nossos olhos e aguçando nossas mentes.

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Na APA do Morro da Pedreira encontramos a Cachoeira Grande – um local lindo, gostoso e de fácil acesso.

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Neste lugar ficávamos apenas “lagarteando” e recebendo dádivas do universo em forma de amigxs Dicão, Laura, Felipe, Izinho, Carla, Claudia, Davidson, Cida, Danilo e outras flores e estrelas que abrilhantavam a nossa viagem.

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Na travessia de outro rio, dessa vez com maior profundidade, vivenciamos os desafios de sair das margens que nos prendiam em nossas limitações do corpo e alma.

Agradeço ao meu amigo Dicão, que possibilitou a mim e ao meu filho sentirmos a intensidade da natureza de maneira terna e segura.

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A Serra do Cipó guarda também a história e cultura do seu povo.

Para homenagear uma figura ilustre da região, no final dos anos de 1980, prefeituras municipais se uniram para construir e inaugurar, no alto da Serra, a estátua do Juquinha que é um dos pontos turísticos mais visitados.

Juquinha era um andarilho querido do povo da região e dos turistas. Ele vivia a percorrer a Serra com flores, raízes e ervas nas mãos presenteando as pessoas ou trocando por coisas diversas, inclusive por comida.

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Visite o Parque Nacional da Serra do Cipó e a APA do Morro da Pedreira.

Compartilhe e desfrute com as crianças as belezas e riquezas naturais e culturais dessa região.

Leve na bagagem: chapéu, repelente, protetor solar, roupas leves, disposição e alegria.

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A Serra do Cipó está a cerca de 100 km de Belo Horizonte e tem uma ótima infraestrutura turística com muitos hotéis, pousadas, restaurantes e outros serviços.

Para saber mais entre no site:

http://www.icmbio.gov.br/portal/o-que-fazemos/visitacao/ucs-abertas-a-visitacao/206-parque-nacional-serra-do-cipo

RPPN ALTO MONTANA

Prosear com os grilos, iluminar-se pelos vagalumes, cantar com os passarinhos, alucinar-se com o ar das montanhas e o céu da Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN Alto Montana. Isto é um pouco do que vivenciamos neste lugar tão especial.

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A RPPN Alto Montana está localizada em Itamonte – MG, no alto da maravilhosa Serra da Mantiqueira, a 7 km do Parque Nacional do Itatiaia – Parte Alta.

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RPPN é um tipo de Unidade de Conservação, ou para simplificar um pouco, é uma área natural protegida por lei. Lugares que tem grande importância ambiental e por isso, também são importantes para o social.

http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/unidades-de-conservacao/biomas-brasileiros.html

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Sempre procuro uma Unidade de Conservação para levar o Davi e juntxs apreciarmos suas riquezas naturais.

Davi sempre teve um forte contato com a natureza e na sua compreensão, um belo dia, expressou:o meio ambiente é a vida da gente!”.

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Pela simplicidade de uma criança é possível adentrarmos na complexidade que nos rodeia. Pensar que essa vida da gente está nos assombrando pela iminência da escassez da água em nossas torneiras, do aquecimento global, da insegurança alimentar entre outras mazelas, muitas delas consequências das nossas péssimas relações com a natureza e com a política pública.

Mas, vamos lá conhecer mais um pouco deste lugar de tantos aprendizados.

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A RPPN Alto Montana ocupa parte da Fazenda Pinhão Assado, que é dotada de uma exuberante e rica Mata Atlântica. Esta Fazenda já sediou um tradicional hotel muito frequentado na região – Casa Alpinaque funcionou dos anos de 1950 até aproximadamente 2007, quando já estava em decadência.

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Hoje ainda existe a infraestrutura do hotel, porém, a utilização é destinada às pesquisas de conservação da natureza, atividades educativas e ecoturismo.

Davi visitou este lugar comigo, numa “viagem trabalho” onde permanecemos por três dias com um grupo de 20 pessoas.

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O objetivo da visita a RPPN foi a realização de um curso sobre gestão ambiental, promovido pelo Coletivo Educador VoS – Voluntárixs Socioambientais do Alto Tietê Cabeceiras, do qual sou uma das voluntárias.

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 O Curso aconteceu graças a uma parceria com o Instituto Alto-Montana da Serra Fina, que está sediado na Reserva e é responsável pela sua gestão.

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Instituto Alto-Montana da Serra Fina

Depois de uma roda de conversa para a apresentação detalhada sobre a RPPN, pudemos colocar a mão na terra. O grupo fez um plantio de mudas nativas para a recuperação da área.

Não basta contemplar e desfrutar das belezas naturais. É preciso agir!

É gratificante deixar a nossa contribuição por onde andamos. Se não cuidarmos das áreas naturais os grilos podem desaparecer nos deixando emudecidos(as).

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Nossa programação incluiu acordar às 04h da madrugada para ver o sol nascer sentados na rampa mais alta do Brasil.

Sim, dentro da Fazenda Pinhão Assado existe uma rampa de voo livre com 2.300 m de altitude!

Vários campeonatos já aconteceram no local. A vista panorâmica é radicalmente linda.

Chegamos à rampa de carro (Kombi) por uma estrada cheia de buracos. Não é qualquer carro que chega ao local.

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Outra atividade gostosa de fazer na RPPN é observar as aves, com sua rica diversidade de cores, tamanhos e cantos.

Existem estudos sobre o comportamento das aves que mostram belos rituais de acasalamento, defesa de território e até mesmo aves cuidadoras de todo um grupo, que avisam as demais quando correm perigo.

Infelizmente, ainda hoje, o ser humano no auge da sua irracionalidade chega a prender aves em gaiolas só para desfrutar de seu canto.

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Cantar com as aves é ter um diálogo profundo e poético com a vida.

O grande poeta Manoel de Barros disse: Quando as aves falam com as pedras e as rãs com as águas – é de poesia que estão falando”.

A RPPN proporciona prazeres que vão do contemplar até o mergulhar nas águas geladas das montanhas.

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A diversão vai do recolher os pinhões caídos no chão, enchendo os bolsos das crianças, até o preparar de um jantar delicioso com estas saborosas e nutritivas sementes de araucária.

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A Reserva está cercada pelas diversas belezas da Mantiqueira, por montanhas e picos procurados por muitos turistas de aventura.

Entre estes lugares destaca-se a linda Pedra do Picu “Monumento Natural” – possível de se avistar até pelas janelas do local.

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A RPPN Alto Montana é um daqueles lugares que a gente quer voltar sempre.

Um lugar onde adultxs e crianças vivem felizes e libertxs.

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Fique atenta (o) às oportunidades de visitação, cursos e outras atividades na RPPN.

Baixe gratuitamente pelo facebook ou blog do Instituto Alto Montana o guia de aves que elaboraram. Ele traz o registro de 282 espécies identificadas na Reserva.

http://institutoaltomontana.blogspot.com

https://www.facebook.com/ InstitutoAltoMontana

Contato: institutoaltomontana@gmail.com

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Como chegar ao local:

A RPPN Alto Montana está a cerca de 230 km do Rio de Janeiro e 360 km de São Paulo. Saindo de São Paulo – Rodovia Presidente Dutra (BR 116) até a saída para Engenheiro Passos, com acesso a Itamonte MG (Rodovia BR 354), entrada no km 721.

Parque Nacional do Caparaó

Desvelar as trilhas do Brasil junto do meu filho amplia a fertilidade do nosso afeto libertador.

Percorremos o Parque Nacional do Caparaó com o pisar nas rochas e na alma, renovando nossos sentimentos que nos impulsionavam para o cume.

Localizado na Serra do Caparaó, divisa dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, este Parque Nacional tem 80% da sua área no ES.

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O Parque tem duas portarias, uma na cidade de Pedra Menina – ES e a outra no Alto Caparaó – MG.

Fizemos nossa viagem de carro saindo de Belo Horizonte, que fica a 330 km de distância do Alto Caparaó/MG – o nosso destino.

Seguimos pela rodovia BR-262, sentido Vitória/ES, até a cidade de Manhuaçu/MG, quando entramos a direita para Manhumirim e Alto Jequitibá/MG. Chegando ao município de Alto Jequitibá seguimos à esquerda rumo ao Alto Caparaó MG.

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Esta viagem foi planejada num repente de luar e estrelas!

Eu e um grande amigo, juntxs das crianças animadas e companheiras de vida, nos organizamos em 48 horas para colocar o pé na estrada e conhecer o exuberante Parque do Caparaó, onde ficamos por 4 dias.

Davi estava com 7 e Ana Luiza com 3 anos. A idade não foi nenhum obstáculo para que nós quatro aproveitássemos ao máximo daquela natureza calma, instigante, rústica e desafiadora.

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Inserido numa área de Floresta de Mata Atlântica o Parque Nacional do Caparaó é dotado de vários atrativos naturais, com uma rica biodiversidade e muitas cachoeiras formando piscinas deliciosas e fáceis de acessar.

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Criança nenhuma queria sair daquelas águas límpidas do Caparaó!

Passar o dia todo curtindo as águas tranquilas que massageavam nossos corpos foi providencial, afinal muita adrenalina nos aguardava.

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E para descansar mais um pouco Uma passeada pela pequena cidade de Alto Caparaó com aquele visual das montanhas, que nos deixava extasiadxs e ansiosxs por aventuras radicais.

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Montanhistas de diversos lugares visitam o Parque Nacional do Caparaó para subir os seus diversos picos com altitudes bem altas.

Entre tantos picos, destaco o Pico do Cruzeiro com 2.852 metros de altitude, o Pico do Calçado com 2.849 metros e o Pico do Cristal com 2.770 metros.

Mas, o nosso desafio era subir o maior pico do Parque!

O Pico da Bandeira com 2.892 metros de altitude, o terceiro mais alto do Brasil.

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Chegamos de carro até a Tronqueira (1.970 metros de altitude), distante 9 km da cidade. Neste local têm área de camping e um mirante para se deslumbrar com o Vale do Caparaó.

A partir deste ponto iniciou a nossa caminhada de quase 7 km até o Pico da Bandeira. Saímos às 08h e retornamos ao mesmo ponto às 18h.

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Subimos os primeiros 300 metros embaladxs pelo frio e neblina.

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A cada passo dado sentíamos o impacto visual, sobre nossas pernas e pulmões, que nos fazia descansar em paradas estratégicas aquecendo nossos olhares.

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Nas paradas a imensidão do nosso olhar vagueava pelo horizonte do sem fim.

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E brincando aumentamos a altitude de nossas emoções, que se enveredavam por campos floridos, riachos, pedras, bichos e galhos.

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Adentrar o vale nas alturas dava uma sensação de plenitude da vida.

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A beleza daquele cenário emoldurava a leveza das crianças que enchiam nossas percepções de cores e contentamento.

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Chegamos ao Terreirão, que é um ponto estratégico no meio do caminho, entre a Tronqueira e o Pico da Bandeira.

Neste lugar, os montanhistas costumam descansar, acampados ou abrigados na casa de pedra. A infraestrutura do camping é muito boa.

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Como não estávamos preparadxs para acampar, ficamos só na vontade. Por isso, nosso descanso neste lugar foi de 30 minutos, apenas.

Seguimos rumo ao Pico olhando, por um tempo, a bela área do Terreirão de longe.

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Após uns 2 km de distância do Terreirão Davi se mostrou cansado.

A caminhada estava exigindo muita energia, concentração e distração ao mesmo tempo.

Neste momento, eu que também estava cansada, pensei em desistir e disse a ele que até onde chegamos já estava ótimo! Que poderíamos voltar bem felizes!!!

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Davi pensou e respondeu: “Desistir… Nunca!!!

Animou-se novamente e seguimos o caminho.

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Mais uma paradinha e ganhamos novo fôlego rumo ao nosso destino.

A vivência na subida ao Pico da Bandeira me transportou até Guimaraes Rosa, com reflexões sobre a minha estrada de vida junto de meu filho amado.

“…Todo caminho da gente é resvaloso. Mas também, cair não prejudica demais. A gente levanta, a gente sobe, a gente volta!… O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. Ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da alegria, e ainda mais alegre no meio da tristeza…

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Finalmente, Davi e eu, chegamos ao Pico da Bandeira!!!

Felizes e emocionadxs por estar naquele lugar.

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Depois de superar nossos limites saboreando sanduiches, buscamos algo mais suculento para repor nossas energias.

Deliciamo-nos com a gastronomia local na Estancia Gourmet ao pé da serra em Alto Caparaó, muito próximo do Parque Nacional.

Um brinde entre adultxs e crianças ficou registrado para sempre em nossas histórias de viagens que se fazem de sabores, encantos, desafios e amigxs queridxs.

http://estanciagourmet.com.br/

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Visite o Parque Nacional do Caparaó!

Se não quiser subir o Pico da Bandeira, terá outras opções maravilhosas para interagir com a natureza, dentro ou fora do Parque.

O Parque está aberto à visitação de segunda-feira a domingo, das 08h às 18h.

Se você quiser acampar basta agendar e aproveitar muito!

O ingresso, sem acampamento, custa apenas R$6,00 para brasileirxs.

Ligue no (32) 37472086 ou acesse http://www.icmbio.gov.br/parnacaparao/guia-do-visitante.html

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Ajude a preservar e conservar a natureza. Visite as Unidades de Conservação do Brasil!

FOTOS: Clarismundo Benfica e Henriqueta