PARQUE NACIONAL DO ITATIAIA – PARTE ALTA 

Houve uma época da minha vida em que eu frequentava a Parte Alta (Planalto) do Parque Nacional do Itatiaia (PARNA Itatiaia) pelo menos uma vez por mês. Explorei muitos cantos deste Parque. Às vezes, fazia bate-volta de um dia.

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Localizado na incrível Serra da Mantiqueira, este foi o primeiro parque nacional criado no Brasil, em 1937. Ele ocupa os municípios de Itatiaia e Resende – RJ; Bocaina de Minas e Itamonte – MG.

Davi estava com 5 anos quando pisou pela primeira vez no PARNA Itatiaia Parte Alta e foi ao delírio!

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Me resolvi por subir na pedra mais alta
Pra te enxergar sorrindo da pedra mais alta
Contemplar teu ar, teu movimento, teu canto…” (OTM)

A criança feliz subia pedras e mais pedras e cada vez mais alto, mais alto e lá do topo avistou as nuvens abaixo dos seus pés.

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Foram três dias de caminhadas e “escalaminhadas, intercaladas com dois dias de descanso, noites tranquilas de sono e muita calmaria, contemplação de céu estrelado e curtição do frio.

Uma criança de 5 anos consegue subir as montanhas sem torturas!

Crianças têm muita energia, habilidades e quase nenhum medo.                           Nós adultxs podemos ficar bem mais cansadxs e resistentes a subir as montanhas.

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Nós fomos até a Parte Alta do Parque para desfrutar dos encantos aproveitados, normalmente, por adultxs.

Este é um lugar muito frequentado por pessoas que desafiam seus limites em escaladas corajosas e arriscadas pelas lindas montanhas.

Na Parte Alta do Parque encontram-se os vistosos campos montanos, cachoeiras e nascentes de muitos rios. São vários atrativos na Parte Alta, entre eles, destacam-se o Pico das Agulhas Negras, Maciço das Prateleiras, Morro do Couto, Vale do Aiuruoca, Asa de Hermes, Abrigo Rebouças, Pedra do Altar, Travessia Serra Negra e outros.

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Nosso ponto de partida foi São Paulo. Seguimos de carro pela Rodovia Presidente Dutra (BR 116) até a saída para Engenheiro Passos, com acesso a Itamonte (Rodovia BR 354). Subimos a Serra que é bem sinuosa, com muita calma e atenção, até chegar à Garganta do Registro, quando entramos à direita.

A partir daí pegamos a estrada de 14 km de terra que é um espetáculo do ponto de vista da paisagem, mas um pouco difícil para os carros. O ideal é um carro mais alto.

Chegamos à Portaria do Parque (Posto do Marcão), da onde saímos a pé para o PRIMEIRO DESAFIO rumo ao Abrigo Rebouças numa distância de 3 km e de lá seguir até a base das Agulhas Negras.

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Caminhamos por uma estrada tranquila com um visual que nos conduzia a dimensões não habitadas em nosso imaginário.

Fizemos uma pausa para os deslumbramentos e descanso no Abrigo Rebouças, que é uma base para pernoites, em alojamento ou camping. Mas, é necessário agendamento.

A partir deste ponto pegamos o acesso para as Agulhas Negras, vista ao fundo na foto abaixo, com toda sua imponência de 2.791 m de altitude. Ela é 5º pico mais alto do Brasil (IBGE, 2011).

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O objetivo era chegar à base do Pico sem pretensões de escaladas ou escalaminhadas. Para subir as Agulhas é preciso muita atenção e estar bem preparadx. Com crianças eu não aconselho.

Em alguns momentos a trilha formava esconderijos com sua vegetação em arbustos e touceiras, entremeadas por rochas de todos os tamanhos.

Não foi preciso chegar ao topo da montanha para brincar, apreciar e se entregar a paisagem que a cada passo nos surpreendia.

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Vivemos o encantamento de um caminhar pelos campos montanos observando as fendas pontiagudas das Agulhas Negras ao longe, mas, não tão distante.

Em balanços das pisadas de crianças atravessamos a ponte pênsil conectando nossas fantasias às duras rochas.

O percurso de ida e volta (Portaria – Ponte Pênsil– Portaria) levou cerca de 4 horas contando as paradas, lanche e um andar sem pressa alguma.

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SEGUNDO DESAFIO MORRO DO COUTO

O Morro do Couto fica a cerca de 3 km da portaria numa altitude de mais ou menos 2.680 m (é o segundo ponto mais alto do Parque).

A trilha começa por uma estrada asfaltada e é um caminho mais fácil que a subida para o Pico das Agulhas Negras.

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O grau de dificuldade aumenta à medida que subimos a montanha.

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Em alguns momentos temos que fazer escalaminhada, mas, para as crianças isso é apenas um detalhe a ser superado com o apoio de adultxs cuidadosxs.

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O legal de subir o Morro do Couto é que além de ser uma montanha desafiadora, a trilha até ele é bem mais curta que as outras, é acessível e o visual que temos lá do alto derruba nossos queixos.

É possível visualizar as Agulhas e Prateleiras, além de todo o Vale do Paraíba com suas outras montanhas.

Lá de cima da montanha a gente parece formiga e as nuvens parecem algodão!

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Fizemos o percurso de ida e volta em 4 horas, entre caminhada e paradas diversas para fotos, água, lanche, descanso e apreciação.

TERCEIRO DESAFIO – MACIÇO DAS PRATELEIRAS

Mais um dia dedicado a Parte Alta do Parque Nacional do Itatiaia. Dessa vez o destino era o Maciço das Prateleiras com cerca de 2.550 m de altitude.

As Prateleiras é um dos destinos mais procurados no Parque, principalmente pelxs escaladorxs.

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A caminhada ao Maciço das Prateleiras é longa!

Até começar a subida (trilha) temos que andar bastante na estrada, que tem vários encantos.

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Geralmente, o que mais cansa ao se fazer as Prateleiras é o trecho da estrada e não o da trilha.

Mas, isso apenas na hora do retorno, quando já estamos cansadxs em êxtase.

Foi nessa parte que Davi pediu colo, mas, só na volta. Confesso que eu também queria colo.

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Apesar da distância e obstáculos a vencer, nos enchemos de entusiasmo e mergulhamos em cada detalhe e desafio encontrado no caminho.

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As formações rochosas do Parque são grandes atrações e de fato, é de se admirar e registrar cada pedra encontrada no caminho, como por exemplo, a Pedra da Tartaruga no alto das Prateleiras.

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O ponto de partida e de chegada às montanhas do PARNA Itatiaia foram apenas complementos de nossas travessias.

As montanhas são apaixonantes, provocam sensações de liberdade e profundidade.

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Aventurar-nos pelo Parque Nacional do Itatiaia foi de erguer as mãos para os céus e agradecer ao Universo.

Nosso percurso ida e volta durou aproximadamente 6 horas.                               

Não foi preciso guia e nenhum preparo especial, apenas a vontade de se divertir, aprender com meu filho e a companhia de gente querida.

INFORMAÇÕES GERAIS:

  • Para fazer as trilhas do Parque sem guias é importante conhecer um pouco do local ou sentir um mínimo de segurança neste tipo de aventura. Caso contrário, a melhor coisa é contratar os serviços de um guia local e chegar onde seus limites permitirem, sem forçar a natureza humana.
  • O local, mesmo durante o verão, costuma ser frio. No inverno já peguei temperaturas negativas no Parque. Os agasalhos, incluindo luvas e toucas, são obrigatórios, em alguns momentos bate um vento gelado de trincar os dentes.
  • Carregue sempre uma mochila pequena (sem esforço) e nela leve: água, protetor solar, lanches leves; boné, capa de chuva (no verão). Dentro do Parque não existe comércio, como bares, restaurantes e coisas parecidas.
  • A melhor época para visitação é entre maio e outubro, período mais seco, com céu azul.
  • O ingresso custa por cerca de R$ 14,00 (para brasileirxs) e deve ser comprado na portaria de entrada (Posto do Marcão).
  • É importante chegar ao Parque no máximo até às 10h, pois, para cada trilha que se escolhe existe um horário de entrada limite.
  • Onde ficar: tem muitas pousadas e hotéis em Itamonte e cidades vizinhas. O local mais próximo do Parque é a Pousada dos Lobos, que oferece área de camping, também. O próprio Parque tem o Abrigo Rebouças que é bem rústico e com valores acessíveis.

Mais informações:

telefones (24) 3352-1292 / 3352-2288 / 3352-6894 ou http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/guia-do-visitante.html